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O SÍMBOLO E O
FENÔMENO PARANORMAL
1. Introdução
O Símbolo é tão antigo quanto o próprio homem,
pois deve ter surgido quando os humanóides
pré-históricos tiveram seu primeiro lampejo de
autoconsciência e esboçaram os primeiros
pensamentos abstratos.
O Símbolo
tornou-se essencial no desenvolvimento da
linguagem escrita e verbal. É fato conhecido
de todos os lingüistas que a sonoridade de
muitas palavras guardam relação com as
qualidades ou características do objeto que
representam. Também, o conhecimento dos
ideogramas chineses permitem a compreensão de
qualquer texto, ainda que a pessoa não saiba
pronunciar uma palavra sequer desse idioma.
A
simbolização é uma capacidade essencialmente
humana. A memória, a imaginação e as
impressões psíquicas empregam essa função. Os
animais aprendem a utilizar os Símbolos, mas
são incapazes de simbolizar. Uma grande parte
do conhecimento nos chega através dos
Símbolos. As religiões os utilizam, a Ciência,
o misticismo, a mitologia, bem como os sonhos,
as alegorias, os contos de fadas e os rituais.
Assim, por exemplo, um livro pode representar
o conhecimento, uma escada, ascensão
intelectual, profissional ou social, e uma
cruz, a morte.
2. Conceito de Símbolo
O Símbolo é
um objeto, uma idéia, uma emoção ou um ato
usado para representar um outro objeto ou uma
outra idéia.
O mesmo se compõe de forma e significado. A
forma é o seu componente objetivo, material ou
perceptivo. O significado é o fator
inconsciente, conceptual e emocional que é
representado pela forma.
A
verdadeira simbolização é um processo
automático e inconsciente, mas os Símbolos
psíquicos devem ser expressos em termos de
fenômenos objetivos, para que possamos tomar
consciência dos mesmos e compreendê-los.
A forma de um objeto é percebida, apreendida
objetivamente, e se torna parte da memória
individual. Esta memória é, então, associada
ao significado ou à parte inconsciente do
Símbolo. Este se forma, portanto, mediante tal
função que integra ou unifica a forma e o
significado num todo.
2.1.Diferença entre Símbolo, signo e sinal
Um Símbolo
representa alguma outra coisa, enquanto que um
signo identifica ou indica algo. Um rótulo
numa garrafa, por exemplo, é um signo que
indica o seu conteúdo.
Um sinal implica uma reação por parte do
usuário ou observador. Bons exemplos disso são
os sinais usados no trânsito.
Um signo, portanto, pode ser definido como um
Símbolo que indica ou identifica algo
percebido ou concebido, enquanto um sinal
seria um signo usado para sugerir ou induzir
uma dada reação em quem o percebe.
Um signo pode resultar de uma degeneração de
um Símbolo original. No início, ele realmente
representava algo diferente dele próprio mas,
pelo uso constante e habitual, teria perdido
seu caráter representativo e se transformado
num signo que apenas faça referência a alguma
coisa. É o que tem ocorrido, por exemplo, com
muitos Símbolos religiosos.
De um modo geral, um signo é conscientemente
apreendido e usado, enquanto um Símbolo é
total ou parcialmente inconsciente.
Um Símbolo é também um agente de transmutação
de nossas idéias e emoções. E tanto mais ele é
transmutador quanto mais possua do elemento
inconsciente. O psiquiatra C. G. Jung afirmava
que os Símbolos atuam como transformadores,
conduzindo a libido de uma forma “inferior”
para uma forma superior.
2.2. Relação
entre forma e significado de um Símbolo.
A forma e o significado de um Símbolo estão
relacionados de três maneiras: por associação,
por sugestão, ou pela lei das
correspondências.
A relação por associação se dá quando existe
alguma semelhança entre a forma e o
significado. Por exemplo: a montanha é
associada a altura e ascensão.
A associação pode ocorrer também por
dessemelhança. Por exemplo: luz e trevas estão
associados, porque são opostos.
Os
atributos naturais podem promover a associação
entre a forma e o significado. Por exemplo: o
leão e sua força; a raposa e sua astúcia.
Uma coisa
pode se tornar Símbolo de outra desde que
ocorram no mesmo lugar. O local onde ocorreu
algo desagradável, como um crime ou um
acidente, torna-se representativo do ocorrido
e das emoções a eles associadas.
A relação entre a forma e o significado podem
depender do tempo, ou seja, podem estar
relacionados à forma cíclica como ocorrem.
Assim é que, a ceia com peru e farofa doce,
regada a champanhe, está associada à passagem
do Ano Novo.
Muitos Símbolos são formados por sugestão.
Nossos pais e professores nos ensinam que
determinada bandeira representa o nosso país,
e nós aceitamos.
Finalmente,
o terceiro modo de relação entre a forma e o
significado é pela correspondência (analogia).
A rosa e o lótus são Símbolos do sol, porque
são tidos como correspondentes a esse astro,
no reino das flores.
Resumindo, na formação do Símbolo a forma e o
significado estão relacionados por:
[
Semelhança
[
Dessemelhança
1.
Associação { Atributos
[ Espaço
[ Tempo
2. Sugestão
3.
Correspondência (analogia)
2.3. Símbolos
individuais, culturais e arquetípicos
Símbolos individuais ou pessoais são aqueles
que têm significado especial para um
indivíduo. Uma jóia pode tornar-se um Símbolo
da pessoa que a usa.
Símbolos culturais são aqueles comuns a um
grupo familiar, religioso, social ou político.
Símbolos arquetípicos são aqueles que têm um
padrão básico, primordial, característico do
pensamento e da criatividade do homem. Sua
forma e seu significado básicos são comuns a
toda a humanidade. Embora possa se verificar
certa variação em sua forma e em seu
significado, entre diversos povos, ambos têm
elementos comuns, onde quer que sejam
encontrados. Jung mostrou que os mesmos
aparecem nos sonhos, nas fantasias e nas obras
de arte.
3. A
Simbolização em Psicologia e Psiquiatria
Um dos mecanismos de defesa utilizados pelo
ego para alívio da ansiedade é a Simbolização.
Nos
transtornos dissociativos conversivos, os
sintomas representam o conflito que lhe deu
origem. A cegueira pode significar a negativa
do paciente em querer “enxergar” determinada
situação. A paralisia pode indicar
incapacidade de enfrentar as dificuldades da
vida, ou de assumir os próprios atos. A surdez
sugere resistência em aceitar certas
“verdades”. As dormências apontam para o
desejo de tornar-se insensível aos
acontecimentos que lhe afligem.
Os sintomas fóbicos são formados a partir dos
mecanismos de deslocamento e simbolização. Por
exemplo: pessoas que têm medo de sapo, aranha,
barata. Na verdade, o objeto real de seu medo
encontra-se em nível inconsciente e está
relacionado à sexualidade. Esses animais
representam o órgão sexual feminino. Por outro
lado, a serpente representa o falo e sonhar
com esse animal geralmente significa conflito
na área sexual.
4. A
importância do Símbolo na Parapsicologia
Uma característica dos fenômenos paranormais
expontâneos é a sua ligação com os conteúdos
inconscientes, ensejando que os mesmos, não
raras vezes, se apresentem como formas
simbólicas de tais conteúdos. Observamos que
isso ocorre tanto com os fenômenos de psi-gama
como com os de psi-kapa.
No caso das precognições de morte, por
exemplo, é comum o agente psi ter visão ou
sonho com caixão de defunto. Relata-se que o
Presidente Abraham Lincoln previu sua morte ao
sonhar com um caixão na sala do palácio.
Sentir cheiro de velas também é considerado
prenúncio de morte. Tomei conhecimento de mais
de um caso, em que o relógio de alguém pára
exatamente no momento da morte de um
conhecido. O simbolismo é claro: para aquela
pessoa, “seu tempo terminou”.
A cruz também pode significar a morte, mas é
por excelência o símbolo do Cristianismo. Como
símbolo de morte, vale citar que alguns
parapsicólogos perceberam que, durante
aplicações de testes com o baralho Zener, os
indivíduos submetidos indicavam menos a figura
da cruz do que as outras. Foi cogitado que a
mesma seja evitada em vista de se identificar
com o medo da morte, latente em todos os
indivíduos. (Não seria o caso de se trocar
essa figura por uma outra, mais “neutra”?) Mas
surge uma outra questão: os indivíduos não
teriam, em contrapartida, uma “preferência”
inconsciente por uma outra carta? O círculo,
por exemplo, é uma figura muito forte.
Representa a Totalidade, o Universo, o
Si-mesmo, Deus. Não seria natural que essa
carta fosse mais sugerida? É preciso se fazer
um estudo sobre isso. As outras figuras não
são menos importantes. O quadrado aparece com
freqüência nas mandalas e também representa o
Si-mesmo. As ondas representam a água, o mar,
a origem da vida. Pode significar também a
energia e, por extensão, a libido. A estrela
significa nascimento, início, renovação.
Perguntamos: estando o indivíduo, em certo
momento, sob influência de determinado
arquétipo, não terá ele tendência a indicar
determinada figura em detrimento das outras? O
próprio idealizador do método, ao fazer a
escolha das figuras para as cartas, o teria
feito por acaso?
Voltemos aos fenômenos. Como símbolo cristão,
a cruz apareceu no braço de um “endemoniado”
em Maryland – U.S.A. O demônio é um símbolo
clássico da libido. A dermografia em forma de
cruz nos dá a chave do conflito: O indivíduo
estava com a libido excessivamente reprimida
pelos conceitos cristãos assimilados.
A revolta
contra a opressão religiosa e moral muitas
vezes é representada por fenômenos paranormais
e extranormais. Certa vez, um “endemoniado”
transformou em cinzas um livro religioso usado
por um sacerdote durante sessão de exorcismo
(transmutação). Um outro “endemoniado”
transformava em cinzas suas roupas, cada vez
que o vestiam. Este último apresentava
episódios de levitação, que era interrompida
após ato masturbatório. Nesse caso, a
levitação simboliza o prazer sexual, ou o
orgasmo.
Alguns indivíduos manifestaram revolta contra
os preceitos religiosos através do Sansonismo,
quando quebraram crucifixos de metal ou
rasgaram Bíblias, utilizando apenas suas
próprias mãos.
Uma coisa que notamos, estudando relatos de
casos espontâneos, foi que geralmente
sentimentos de ódio e agressividade não
manifestos são expressos pelo agente psi sob
forma de parapirogenia.
Alguns tipos de aparições podem ser
representações simbólicas de conflitos
inconscientes. É interessante o seguinte caso
relatado pelo parapsicólogo Edvino Friderichs:
“Primeiro apresentou-se um vulto branco à Sra.
D. Leonor e à sua filha; a seguir o próprio
Satanás com rabo e chifres. De outra feita, o
diabo estava com os pés em cima dos pés de
José Mário e as mãos de Satã sobre os joelhos
dele... fenômenos esses vistos pela mãe e
Maria Helena.
‘Rezei a São Miguel e mais alguns santos de
minha especial devoção’, disse Dona Leonor,
‘foi quando o demônio pulou em cima de minhas
pernas, em cima da cama de Maria Helena,
ameaçando-a, fez ainda uma horrível carranca e
desapareceu’...
‘O Bom
Jesus da Lapa me socorreu, pois deste jeito eu
o vi e senti duas vezes, sempre pelas três
horas da madrugada.’
Desse tipo D. Leonor teve diversas visões,
enxergando ora um homem branco, baixinho, de
capuz esquisito, ora uma figura preta, um
demônio de quejanda aparição apavorante, mas
sua oração perseverante sempre fazia
desaparecer tudo.”
O conteúdo dessas aparições sugere que pelo
menos que uma das pessoas que as vivenciou
estava com conflitos na área sexual. Como já
vimos, o diabo é um Símbolo da libido.
Ademais, Sigmund Freud afirma que, figuras que
surgem nos sonhos usando capa ou capuz
representam o pênis, visto como tais
apetrechos têm analogia com o prepúcio.
Finalmente, enfatizamos a importância dos
Símbolos individuais e do processo de
simbolização por associação a determinado
lugar, nos fenômenos de Psicometria por
contato direto com objetos e Psicometria
ambiental, respectivamente. Mesmo se
considerando haver alguma ação energética
sobre os objetos ou o meio ambiente, admite-se
que o agente psi receba as informações por
telepatia ou clarividência. Nesse caso, o
fator de ligação entre o agente psi e a fonte
de informação logicamente seria o caráter
simbólico do objeto ou do lugar.
Pelo exposto, torna-se evidente a importância
do estudo da Simbologia pelos parapsicólogos,
não só para entender melhor os fenômenos, como
também o Ser Humano em toda sua plenitude.
Bibliografia
1.
Friderichs, EdvinoA. Casas mal-assombradas.
São Paulo. Edições Loyola. 1980.
2.
Quevedo, Oscar G. Antes que os demônios
voltem. São Paulo. Edições Loyola. 1993.
3.
Jung, C.G. Símbolos da transformação.
Petrópolis. Vozes. 1986. Vol. V
4.
Freud, Sigmund. A interpretação dos sonhos. 2ª
Edição.Rio de Janeiro. Imago. 1987. Vol. IV
5.
Introdução à simbologia. 3ª Edição. Curitiba.
Biblioteca Rosacruz. 1995.
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