CURAS POR
MÉTODOS NÃO-CONVENCIONAIS
Resumo
Este trabalho é uma síntese e
adaptação da última parte de uma pesquisa em
curso sobre “Curandeirismo: a eficácia
simbólica das práticas rituais”.
Pretendemos demonstrar que no
fenômeno da cura há vários ângulos de
percepção nem sempre convergentes, já
abordados em nosso trabalho “A mentalidade
mágico-supersticiosa no curandeirismo” (1996).
O resultado leva a atitudes de incompreensão
diante dessas novas perspectivas postas em
discussão.
Destaca a necessidade de se levar em
consideração a natureza simbólica da vida
social, enfatizando que as atividades
interativas dos indivíduos produzem as
significações sociais.
Finalizando, adverte para o fato de
que não é aconselhável estudar psi sem um
estudo multidisciplinar, que proporcionaria
outras visões de sua realidade, como
ocorrências do cotidiano, que seria lastimoso
ignorar.
Abstrat
This paper is a synthesis and
adaptation of the last part of a on going
research about curanderism: the symbolic
efectiveness of ritual pratices.
We intend to show that in the cure
phenomena there are several perception angles,
not all convergent, as we have already
introduces in our book “The supertitious and
magic mind in curanderism” (1996). It results
in uncomprehensive attitudes before the new
perspectives.
It emphasizes the need to consider
the symbolic nature of social life, focusing
that the individual interactive activities
produce social significance.
The conclusion is that it is not
advisable to study psi without a
multidisciplinary, approach in order to show
other views of reality, such as in daily
occurrences, that we would regret if they were
not considered.
Curas por
métodos não convencionais (1)
“A energia
curativa natural que existe em cada um de nós
é o principal fator de regeneração”.
Hipócrates
1. O enigma da cura
Em um sentido mais abrangente, a
cura continua sendo um enigma. Até estudos
realizados no âmbito da medicina moderna têm
o seu suporte fortalecido em observações que,
em sua essência, são aparentemente
inexplicáveis. Torna-se, perfeitamente, claro,
que muitos médicos empenham-se,
convenientemente, em ignorar tal fato,
preferindo acreditar que o “status” de médico
confere para si a supremacia e a plena
sapiência. É lamentável que estejam atraídos
pelo “canto das sereias”.
Pensamos que o corpo pode ser curado por uma
gama de modalidades processuais. Não importa
de onde e como ocorre a cura, o mais essencial
é que estabeleçamos conexões entre os diversos
conhecimentos e técnicas terapêuticas, para
que possamos definir um quadro
pluridimencional da cura.
Existem muitas formas de interação entre a
mente e o corpo que desconhecemos
completamente e que nos deixam perplexos.
Um outro aspecto que também devemos ter sempre
presente para maior entendimento dos fatos: a
religião, por exemplo, que é o maior fato
social.
Durkheim (l996), em sua tese antropológica
sobre a religião, diz que “no divino os homens
concebem a autoridade moral, à qual se
submetem, que lhes pressiona o comportamento,
acarretando-lhes constrangimento, sacrifícios,
além de provocar a sensação de dependência
permanente e torná-los agradecidos”.
Levando em consideração esta perspectiva
antropológica predominante, nunca se deve
menosprezar a tendência humana para o
metafísico, para o religioso, porque exporia o
caráter humano a inadaptações sociais.
A
religião, portanto, é parte do sistema de vida
de um povo. Um compartilhar coletivo de
crenças que, por sua vez, é essencial às
representações coletivas.
Certamente os resultados serão bem mais
sucedidos, quando cuidamos dos doentes de
acordo com os métodos da sua cultura. Devemos,
portanto, levar em conta a origem cultural do
paciente e os dispositivos terapêuticos. Se o
paciente é um religioso, por exemplo, o que
nos impede de tratá-lo também de acordo com
suas crenças?
Nossas experiências permitiram-nos constatar
que existe uma forte evidência que a crença
que expressamos através da fé espiritual é a
responsável pelas curas denominadas de
extraordinárias. Entre a prática de cura e a
religião, existe uma relação, historicamente,
estabelecida. De forma incisiva, o “habitus”
que os religiosos incorporam à sua atividade
opõe-se ao “habitus” médico.
2. Casos
Caso I (2)
Em l962, um senhor chamado Vitório
Michelli foi internado no hospital militar de
Verona, Itália, com um grande tumor canceroso
do lado esquerdo do quadril. Após o
diagnosticarem como um caso sem cura, os
médicos o mandaram para casa. Dez meses
depois, seu quadril se desintegrou
completamente.
Sem mais esperança de cura através dos meios
convencionais, viajou para Lourdes onde se
banhou na fonte. Sentiu uma sensação de calor
percorrendo o seu corpo. Ele se banhou várias
vezes, durante alguns dias, e então voltou
para casa. Após um mês, o tumor desapareceu e
o seu osso começou a se regenerar. No segundo
mês, ele estava andando e, nos anos seguintes,
seu osso se reconstituiu completamente.
Uma comissão médica do Vaticano, uma
equipe internacional de médicos, fundada para
investigar tais assuntos, tem confirmado a
autenticidade de diversas curas na fonte de
Lourdes, ao longo dos anos.
Caso II (3)
O Dr. William Tufts Brigham, diretor
do Museu Bishop em Honolulu, dedicado
pesquisador dos fenômenos psi, registrou um
caso de cura instantânea de um osso quebrado,
efetuada por uma xamã (kahuna) nativa do
Havaí.
O
caso foi testemunhado por um amigo de Brigham,
chamado J. A. K. Combs. A avó da sua esposa
era considerada uma das mulheres kahunas mais
poderosas da ilha.
Certa vez, um determinado senhor escorregou e,
ao cair, sofreu uma fratura exposta em uma das
pernas. Pela severidade da fratura, Combs
sugeriu que levassem o homem ao hospital
imediatamente, tendo o conselho sido ignorado
pela Kahuna que estava presente ao local.
Aproximando-se do homem, ela endireitou sua
perna e fez pressão sobre a área afetada.
Depois de rezar e meditar por alguns minutos,
levantou-se e comunicou que o homem estava
curado. Ele se levantou e conseguiu andar.
Além de ficar completamente curado, a sua
perna não mostrou nenhum indício de fratura.
Caso III
Este caso ocorreu com o Senhor
Samuel (pseudônimo), residente na cidade do
Recife, capital do Estado de Pernambuco.
No ano de 1999, teve diagnosticado pelo
médico, após vários exames realizados, um
tumor na próstata. Imediatamente realizou os
exames pré-operatórios, visto que a gravidade
do caso exigia uma urgente intervenção
cirúrgica. O senhor Samuel, muito preocupado,
dirigiu-se ao Centro espírita que sempre
frequentara, à procura de ajuda espiritual. Lá
chegando, encontrou uma jovem senhora a quem
se atribui a capacidade de diagnosticar
doenças e, também, a mediunidade de cura (fluidoterapia).
Sensibilizada com o caso do Senhor Samuel,
concentrou-se e, conforme ocorre nesses
estados alterados de consciência, sentiu como
se estivesse vendo através do corpo do Senhor
Samuel. Descreveu como se fosse um corpo
energético escurecido. Concentrando sua
visualização numa determinada região, refere
ver o interior do corpo. Naquela ocasião,
visualizou a sua próstata, tendo observado que
pequenas partículas escuras se concentravam
sobre a mesma. Imaginou que as tivesse
retirando e transferindo-as para a natureza,
até que a próstata obtivesse uma nova textura
e coloração. As sessões de tratamento se
repetiram por cinco vezes, num espaço de
quinze (15) dias, sendo utilizado o mesmo
procedimento, acrescido de um forte
sentimento, como que de si exalasse algo que
selecionava uma parte para repor, em
substituição às partículas “retiradas”. Na
última sessão de tratamento, não mais viu a
região escurecida nem o órgão volumoso, mas
com novas texturas e coloração. Naquela
oportunidade, a médium sugeriu ao senhor
Samuel que, antes de se submeter à cirurgia,
pedisse ao seu médico que solicitasse novos
exames, tendo o mesmo acatado a sugestão. Para
surpresa sua e do médico, constatou-se uma
regeneração da próstata, o que levou o médico
a solicitar nova bateria de exames que
confirmaram a completa recuperação do órgão
canceroso. (Entrevista concedida pela médium).
Constam, em nosso poder, documentos que
comprovam os diagnósticos médicos, antes e
após a cura. Comprovamos, também, que nenhum
tratamento médico regular foi praticado
anteriormente ou durante as sessões de
tratamento.
Conforme procedimentos adotados em pesquisas
anteriores, verificamos os conceitos que as
pessoas citadas, no caso, tinham da
entrevistada, sem constatarmos discrepâncias
entre os relatos, o que muito nos favoreceu
para a complementação dos nossos propósitos.
Apreciando os casos apresentados, observa-se,
claramente, que as pessoas estão sedentas de
magia. O sentido mitológico da crença parece
renascer diante da perspectiva de agonia e de
sofrimento.
Os relatos revelam, notadamente, não apenas a
capacidade que a mente humana tem para agir
sobre o organismo, alterando o sistema
endócrino, mas, sobretudo, curas que se
distinguem, por características particulares,
das demais curas, sugerindo tratar-se de
experiências de uma nova forma de consciência
que possui uma lógica própria, desafiando a
lógica formal.
São as evidências dessas características que
mantêm a esperança do êxito. Mesmo que não
conduzam à cura, essa maneira de ser enseja
sempre uma proposta para o enigma da fé que
passa a ter um significado bem real e
transparente: Deus já não é mais essa
categoria do infinito inatingível e remota que
escapa aos nossos sentidos. Já existe um
pacto, através do seu representante
estabelecido. E não pode negar-se a
irredutibilidade do mistério que o homem tem
querido penetrar através das portas da
religião.
3. A eficácia
simbólica da cura
Tradicionalmente, a procura aos
centros de cura é considerada de grande
utilidade, apresentando, em alguns casos,
resultados satisfatórios de alívio dos males e
até de curas.
Admite-se que toda cura tem uma dimensão de
eficácia simbólica. Esta eficácia consiste,
precisamente, numa propriedade indutora
garantindo a harmonia entre mito, rito e
cura. Como indica Baczko (l984), “o imaginário
social se expressa por ideologias e utopias, e
também por símbolos, alegorias, rituais e
mitos”.
As correlações simbólicas das
práticas rituais têm, assim, a base de suas
verosimilhanças, firmadas em padrões muito
mais sólidos do que, a princípio, poder-se-ia
pensar.
As experiências cotidianas, e não
apenas as religiosas, são permeadas por ritos.
O simbólico se faz presente em toda vida
social na situação familiar, econômica,
religiosa, política etc, sem que, às vezes,
percebamos.
“A presença de um curador com
palavras de encorajamento e atitudes afetivas
provoca um processo sugestivo, motivando a
confiança do indivíduo e, naturalmente,
alterando sua condição psíquica,
possibilitando readquirir o vigor normal. O
que equivale dizer que a fé no poder curador
foi o responsável em produzir as alterações
orgânicas que resultaram na recuperação ou
cura” (4). Nessas circunstâncias, a força
mágica do mito é fortalecida: o curador se
torna a encarnação do velho sábio.
O curador investido do papel do
velho sábio, “inspirado por Deus”, sempre
simboliza, para quem o procura, a medida de
todas as coisas, a representação do divino.
O risco deste tipo de cura consiste
em que, muitas vezes, não existe a cura real:
o paciente apenas sente-se bem pela sugestão.
Porém a enfermidade pode continuar seu curso
sem apresentar sinais ou sintomas.
Supondo, também, que exista uma
fraude, todo esforço será feito no sentido de
convencer o consulente de que foi ou está
sendo curado. Embora considerando-se curado,
em conseqüência de uma aparente melhora dos
sintomas ou desaparecimento dos mesmos, algum
tempo após voltará a sentir as mesmas
sintomatologias. E poderá até apresentar uma
situação mais grave, acarretando complicações,
onde haja a necessidade de uma correta e ágil
conduta diagnóstica e terapêutica, com alguns
casos de intervenção cirúrgica de urgência.
Precavendo-se contra fatos dessa
natureza, em alguns países, entre eles
Alemanha, França e Suíça, determinadas
instruções, de natureza acadêmica, sobre
anatomia, histologia, higiene, patologia e
diagnóstico, são ministradas aos curandeiros,
podendo ser autorizados como curadores
práticos, porém, com um acompanhamento médico.
Recebem, também, orientações, de caráter
rigoroso, sobre a necessidade de encaminhar o
paciente ao médico, caso a enfermidade exceda
os limites de sua capacidade.
A teoria holográfica do cérebro pode
ser usada para explicar também esses
fenômenos. “Num cérebro que funciona
holograficamente a imagem lembrada de uma
coisa pode ter tanto impacto sobre os sentidos
quanto a própria coisa”. (Talbot, 1991).
Michael Talbot (1991) afirma ainda
que “na ordem implícita (5), como no próprio
cérebro, a imaginação e a realidade, na
verdade, são indistinguíveis e portanto não
deveriam ser nenhuma surpresa para nós que as
imagens, na mente, possam, conseqüentemente,
manifestar-se como realidades no corpo
físico”.
Diante do exposto, conclui-se que
não apenas a consciência, mas também o corpo
pode responder ao significado. O significado
pode, assim, servir como elo ou ponte entre
esses dois lados da realidade, conforme afirma
David Bohm , considerado um dos maiores
físicos especulativos do mundo: “Este elo é
indivisível, no sentido de que a informação
contida no pensamento, que sentimos estar no
lado mental, é, ao mesmo tempo, uma atividade
física, química e neurofisiológica, que é
claramente o que representa este pensamento no
lado material” (6).
Danah Zohar no seu livro “O ser
quântico”, enfatiza: “Embora, sob muitos
aspectos, a consciência seja a coisa mais
conhecida e acessível que cada um de nós
possui ela continua como um dos fenômenos
menos compreendido deste mundo”. Enfatiza,
também, que “não existe nenhuma anatomia ou
fisiologia da consciência, muito menos uma
física” (Zohar, 1990).
Mediante tais evidências, somos
motivados a ingressar numa fase de reavaliação
de conceitos e valores, assumindo uma postura
pluridimensional da realidade e,
intrinsecamente, dinâmica do universo, em que
se constata o aspecto essencial que representa
a mente. Não esqueçamos, pois, que tudo isso
envolve uma abundante seqüência de fatos,
valores, idéias, inclinações ou ocorrências
latentes nas profundas e enigmáticas camadas
da mente humana.
4. A
perspectiva parapsicológica
Os estudos parapsicológicos começam
agora a desfrutar um interesse não usual de
círculos, cada vez mais, consideráveis do
público.
Em Universidades, Centros de
Pesquisas ou Institutos do mundo, há
preconceitos entre técnicas ou conhecimentos
mais destacados pela ciência, da forma como a
concebemos, e outras com características
diferentes.
O preconceito é tão forte que, de um
certo modo, impossibilita reverter a postura
daqueles que rejeitam, mesmo quando são
apresentadas todas as informações que lhes
faltavam.
Essa postura, conforme se verifica,
é uma conseqüência da ignorância existente
acerca da Parapsicologia, em parte sob
influência dos estereótipos da comunicação.
Por outro lado, esses mesmos
críticos de postura negativa (7), em certas
ocasiões, longe do meio acadêmico, quando
explicamos que a Parapsicologia tem como
objeto de estudo os fenômenos psi (aqueles em
que os relacionamentos entre o homem e o outro
ou entre o homem e o meio ambiente, ocorrem
sem a utilização das funções sensório-motoras
convencionais), cedem um pouco ao radicalismo
e até nos relatam algumas experiências por que
passaram, solicitando explicações.
Entretanto, percebe-se claramente,
após aquele momento, o receio de que,
alterando a postura, é como se pusesse em
risco a reputação acadêmica.
Esquecem esses ilustres
pesquisadores que devemos considerar as
teorias dos grandes cientistas, não como
descrições de uma verdade absoluta, mas
unicamente como descrições de um protótipo da
verdade, o que corresponde a uma enorme
diferenciação.
Os grandes cientistas tentam somente
desvendar o conteúdo da “caixa preta”.
A ciência que se mantiver atrelada a
uma lógica dogmática, pagará um elevado
tributo por essa postura que, inevitavelmente,
a conduzirá a uma destruição motivada por suas
incoerências internas.
Atualmente há em todo mundo
universidades, institutos e centros dedicados
ao estudo da Parapsicologia. No Brasil ainda
existem poucas instituições, entre elas o
Instituto Pernambucano de Pesquisas
Psicobiofísicas - I.P.P.P onde, atualmente,
diversos trabalhos de estudo e pesquisa têm
sido realizados por sua equipe, cujo propósito
visa abrir novas perspectivas no setor do
conhecimento do homem e o entendimento de
outros estados de consciência, até agora,
pouco vislumbrados, como é o caso das curas
por meios paranormais.
Ronaldo Dantas Lins, médico e
parapsicólogo, define cura por meios
paranormais: “como uma ação física da mente
sobre os seres vivos, sem a utilização de
qualquer extensão ou instrumento de natureza
material, produzindo o restabelecimento da
saúde a este sistema” (Lins, 1995).
É possível, pois, alguém curar por
meios paranormais?
Sob o ponto de vista
parapsicológico, apesar de muito rara, a cura
é possível em decorrência de uma ação psi-kapa,
ou ainda, o agente psi confiável (paranormal)
poderá revitalizar um organismo debilitado
através de uma ação telérgica (exteriorização
de energia do agente psi transmitida a uma
pessoa).
Esses esforços, sem dúvida, levam o
curador a atuar independentemente do fator
psíquico do doente. Ele parece transmitir algo
de si, e independe do conhecimento que tenha
sobre o processo.
Outra hipótese é a da sugestão
telepática de estimulação e encorajamento,
permitindo que, embora o nível consciente não
tome conhecimento, o doente utilize o seu
próprio psiquismo para uma recuperação ou
cura.
Em estado alterado de consciência, o
curador consegue um estado de unidade com o
doente, estimulando as suas faculdades
auto-restauradoras, sendo o próprio doente o
agente da sua própria cura através da
aceleração de suas próprias faculdades
restauradoras orgânicas, que existem em estado
latente.
“Os sinais psigâmicos sendo captados podem não
se manifestar em nível consciente, no entanto,
a sugestão telepática positiva pode
manifestar-se e influir de tal forma que o
metabolismo da pessoa pode ser
inconscientemente afetado pelos sentimentos
captados telepaticamente. A atuação dessas
forças mentais sobre as pessoas está
intrinsecamente ligada à sensibilidade do
percipiente. O elemento mágico-religioso está
latente à espera de um ambiente propício que o
estimule. Em outras palavras, a confiança no
curador e em seus poderes constitui uma
sugestão que já se encontra no psiquismo das
pessoas que o procuram em potencial” (8).
Assim, também, outros fatores
ambientais podem produzir e/ou intensificar,
nas pessoas, um estado emocional capaz de
inspirar-lhes a confiança de que serão
curados.
Em alguns casos, o doente, por si
mesmo, coloca, em atuação, essas faculdades
por ocasião de um choque psicológico (forte
emoção) ou fisiológico (imersão brusca em água
fria) etc. Ou, simultaneamente, os dois
fatores (como ocorre em Lourdes e em outros
grandes centros de cura do planeta).
O psiquismo desempenha um papel bem
definido em nossa vida, mas que, seguidamente,
atua de forma sutil e inconsciente e é
utilizado dessa maneira com o objetivo de
buscar informações úteis e satisfazer certas
necessidades.
Freqüentemente, certas coincidências
que ignoramos completamente, achando-se
incompreensíveis, têm, no entanto, algum
significado e fazem com que acreditemos ser
obra da casualidade.
“Embora em determinadas ocasiões não
tenhamos como definir certas curas,
aparentemente inexplicáveis, ou apresentar uma
explicação plausível no âmbito da medicina, e
concorrendo até para que, hipoteticamente,
atribua-se às forças sobrenaturais, estamos
conscientes de que tal fato requer um estímulo
para o aprimoramento da pesquisa, evitando,
desta forma, os mesmos erros cometidos,
inconscientemente, por certos pioneiros,
pesquisadores que se enveredaram no emaranhado
das evidências culturais do seu tempo, entre
seus correspondentes estereótipos religiosos”
(9).
Um fato não podemos negar: o
fenômeno psi existe e desafia o rigor
científico. As provas experimentais e inúmeros
casos espontâneos registrados confirmam a sua
existência.
5. Considerações finais
Para os pesquisadores que
enveredam no campo da fenomenologia psi, sem o
conhecimento da Parapsicologia, é possível que
passem despercebidos alguns aspectos mais
complexos da psique humana e das leis da
sugestionabilidade (10).
Acreditamos que o meio mais adequado
para captar essa realidade é não atermos
exclusivamente a estudos sob a perspectiva
médica unilateral. Não é aconselhável estudar
todos aspectos paranormais dos seres humanos
sem um estudo multidisciplinar.
Convém, portanto, ressaltar que as
observações têm revelado a existência de curas
por meios paranormais, que se distinguem por
características particulares das demais. Como
pesquisadores, naturalmente, precisamos adotar
uma postura crítica, sem, no entanto,
esquecermos que seria uma atitude um tanto
quanto pueril ignorá-las como se não
existissem.
Conforme foi evidenciado em trabalho
anterior (11): afirmar que apenas merece a
nossa atenção aquilo que é explicitado lógica
e racionalmente, expressa uma visão
paupérrima do que seja uma verdadeira
investigação científica. Não menos verdade é
que tal procedimento estaria a infringir uma
das regras básicas do método científico, que
consiste em observar sem preconceitos.
Notas
1.
Adaptação e resumo do último capítulo do
trabalho intitulado “Curandeirismo: a eficácia
simbólica das práticas rituais”, pesquisa
realizada na cidade do Recife, durante os anos
de 200l e 2002.
2.
Caso I _ Síntese do relato constante do livro
“O universo holográfico” de Michael Talbot,
páginas 136 a 139.
3.
Caso II – Ibid., página 162.
4.
Vieira, Erivam Felix. A mentalidade
mágico-supersticiosa no curandeirismo. In:
Anuário Brasileiro de Parapsicologia, nº 1 -
9/36.
5.
Ordem implícita – “Realidade mais profunda, em
que todas as coisas estão conectadas” (Lins,
Ronaldo. Teoria parapsicológica geral).
6. TALBOT, Michael. (1991), O universo
holográfico. São Paulo, Best Seller.
7.
Diversos professores de Universidades e
membros de outras Instituições acadêmicas, ao
longo do nosso convívio, têm manifestado
grande interesse pelo estudo da fenomenologia
paranormal, solicitando, inclusive,
explicações após relatos de algumas
experiências que passaram. Contudo, sempre
mantêm uma cuidadosa reserva, como se tal
postura pusesse em risco a reputação
acadêmica.
8.
Vieira, Erivam Felix. (1994), A feitiçaria:
aspectos psigâmicos de um problema
sócio-cultural. Recife, Bagaço.
9.
Vieira, Erivam Felix. A mentalidade
mágico-supersticiosa no curandeirismo. In:
Anuário Brasileiro de Parapsicologia, nº l -
9/36.
10.
Sugestionabilidade – “Refere-se a maior ou
menor propensão pelo hipnotizado de acatar as
sugestões” (Lins, 1995).
11.
Vieira, Erivam Felix. (1997), Paranormalidade
e cultura: uma perspectiva histórico-social.
Olinda. ASPEP.
Bibliografia
1.
1.BACZKO, Bronislaw. (l984), Os imaginários
sociais. Memória e esperanças coletivas.
Paris, Payot..
2.
DURKHEIM, Émile.
(l996),
As formas elementares da vida religiosa.
Tradução Paulo Neves. São Paulo, Martins
fontes.
3.
LINS, Ronaldo Dantas. (1995), Curas por meios
paranormais: realidade ou fantasia? Recife,
IPPP.
4.
TALBOT, Michael. (1991), O universo
holográfico. Tradução Maria de Fátima S.
Marques. São Paulo, Best Seller.
5.
VIEIRA, Erivam Felix. (1997), Paranormalidade
e cultura: uma perspectiva histórico-social.
Olinda, ASPEP.
6. ________________. (1996), “A
mentalidade mágico-supersticiosa no
curandeirismo”. In: Anuário Brasileiro de
Parapsicologia, nº 1 - 9/36
7. ________________.
Parapsicologia, saúde e curandeirismo.
Palestra apresentada no 1º Congresso
Internacional e Brasileiro de
Parapsicologia .
Recife, 0l de novembro de 1997.
8.
______________.”Curandeirismo: a eficácia
simbólica das práticas rituais”. Pesquisa
realizada na cidade do Recife, durante os anos
de 2001 e 2002.
9.
ZOHAR,
Danah. (1990), O ser quântico. São Paulo, Best
Seller.
|